Perguntas Frequentes sobre o Alpha

1 - Qualquer pessoa pode fazer o Alpha? Mesmo se não for católica?

A Bíblia diz que o desejo de Deus é o de que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (cf. I Tim 2, 4) e que isto se dá por meio de Cristo Jesus, o único mediador, que se deu em resgate por todos (cf. I Tim 2, 5). O Alpha existe para equipar as Paróquias e, sobretudo, para dar a elas meios que possibilitem ser “uma Igreja em Saída”, que vai ao encontro dos que estão fora, dos que ainda não creem. Sendo assim, não existe nenhum pré-requisito: qualquer pessoa, independentemente de sua crença (ou falta de fé) é bem-vinda em Alpha. Pessoas com dúvidas e perguntas são bem-vindas em Alpha.

2 - A origem e o conteúdo de Alpha é protestante?

O Curso Alpha teve início na Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade de Brompton, em Londres. Ainda nos primeiros anos, a Igreja Católica passou a adotar o curso em muitas de suas paróquias por reconhecer a catolicidade de seu conteúdo. A profissão de fé é própria de seres livres; é própria de Pessoas. Uma escultura, um livro, uma canção, uma pintura, um edifício não fazem “confissão de fé”. Nós dizemos que uma “coisa” é ou não “católica” a julgar pelo seu conteúdo. Não é a autoria o que confere ou retira a catolicidade de uma obra, mas tão somente o seu conteúdo. Infelizmente há muitos católicos falando, escrevendo, cantando e compondo coisas que não são católicas, e o fato de que os autores o sejam, não confere catolicidade a essas obras necessariamente.

Uma obra pode ser considerada “católica” se estiver de acordo com o Depósito da Fé da Igreja, custodiado e transmitido a nós pelo Magistério. Então, mesmo que o autor seja um Bispo ou um Padre, se este requisito não é obedecido, a obra é carente de catolicidade. Dentro deste mesmo raciocínio, por outro lado, se uma obra está de acordo com este requisito, ela é “católica”, mesmo que seu autor, por algum motivo, não o seja.

Santo Tomás de Aquino afirmou: “Toda verdade, dita por quem quer que seja, vem do Espírito Santo.” Nesta mesma linha de raciocínio, Santo Tomás ainda disse: “… não olhes por quem são ditas, mas o que dizem.” Santo Tomás beneficiou-se amplamente da filosofia pagã em sua principal obra: a Suma Teológica.

Se nós podemos nos beneficiar da verdade, não obstante a profissão de fé do autor, desde que a obra condiga com a doutrina da fé, não é escândalo que afirmemos: Nós encontramos obras artísticas que nos enriquecem profundamente no conhecimento da verdade que são oriundas de autores ortodoxos e protestantes no campo da Teologia e da Fé!

O Documento Conciliar Unitatis Redintegratio, a partir do parágrafo quatro, diz assim:

Por outro lado, é mister que os católicos reconheçam com alegria e estimem os bens verdadeiramente cristãos, oriundos de um patrimônio comum, que se encontram nos irmãos de nós separados. É digno e salutar reconhecer as riquezas de Cristo e as obras de virtude na vida de outros que dão testemunho de Cristo, às vezes até à efusão do sangue. Deus é, com efeito, sempre admirável e digno de admiração em Suas obras.

O Documento diz: Deus é, com efeito, sempre admirável e digno de admiração em Suas obras. A pessoa que escreveu, compôs, ou seja lá o que for, não está em plena comunhão. Mas, ali, naquele conteúdo que procede do nosso patrimônio comum, essa obra pode ser considerada como inspirada pelo Espírito Santo, o que significa dizer que ela pode ser considerada como obra de Deus!

O Documento continua:

Nem se passe por alto o fato de que tudo o que a graça do Espírito Santo realiza nos irmãos separados pode também contribuir para a nossa edificação. Tudo o que é verdadeiramente cristão jamais se opõe aos bens genuínos da fé, antes sempre pode fazer com que mais perfeitamente se compreenda o próprio mistério de Cristo e da Igreja.

O Espírito Santo, autor da Verdade, age nos irmãos de nós separados e o que Ele faz lá, por meio deles, pode de fato contribuir para a nossa edificação, nos ajudando a crescer na nossa compreensão acerca do mistério de Cristo e da Igreja!

Foi esta sabedoria que permitiu à Igreja acolher, no período patrístico, muitos pressupostos da filosofia helênica. Foi esta sabedoria, também, que acolheu e “catolicizou” o Movimento Mendicante, que, antes dos Santos Francisco e Domingos, era de cunho gnóstico. Foi esta sabedoria que permitiu à Igreja receber elementos da experiência pentecostal em seu seio, dando forma à Renovação Carismática Católica. O Alpha, aliás, é um dos frutos da Renovação Carismática nas Igrejas Históricas e é compartilhado por diversas tradições cristãs justamente porque seu conteúdo é oriundo do patrimônio comum da fé: trata-se da primeira evangelização em que é anunciado com firmeza e constância o Deus vivo e Aquele que Ele enviou para a salvação de todos, Jesus Cristo, de modo que os nãos cristãos, movidos pelo Espírito Santo que lhes abre o coração, abracem a fé e se convertam ao Senhor, em adesão sincera àquele que, sendo o caminho, a verdade e a vida, é capaz de satisfazer todos os seus anseios espirituais e até de infinitamente os superar. Este anúncio tem por base a Sagrada Escritura, conteúdo por excelência do querigma.

3 - O Alpha é um Movimento próprio, com membros, estruturas, espiritualidade e carisma próprios?

O Alpha é uma ferramenta de orientação catecumenal, focada no anúncio bíblico de Jesus Cristo no poder do Espírito Santo. Uma vez que os encontros Alpha se encerram (de 9 a 12 semanas, dependendo do material que se utilize), cada comunidade oferece a sequência que desejar: Terminados os encontros… terminou a experiência Alpha! Não há um vínculo de pertença ao Alpha, com uma espiritualidade específica, uma estrutura hierárquica, um carisma ou algo do gênero. Neste sentido, o Alpha não “pesca” líderes nas paróquias e comunidades para seu proveito, mas somente oferece a ferramenta para que a Comunidade possa formar evangelizadores para si.

O que existe, em nível Internacional, Continental e Nacional são escritórios que trabalham para a disponibilização da ferramenta nas diversas tradições cristãs, organizando conferências, materiais de formação, eventos e tudo o que possa ser útil para equipar a Igreja no Mundo.

4.Por que o conteúdo de Alpha é baseado nas Sagradas Escrituras? Isso vem em detrimento da fé católica?

Amiúde alguns se incomodam com a ênfase que o Alpha dá às Sagradas Escrituras como meio para conhecer a Deus, como se isso, de algum modo, viesse em detrimento dos Sacramentos e de todos os demais meios de Salvação oferecidos por Cristo através da Igreja. Contudo, é necessário que se compreenda que, em Alpha, oferece-se o querigma, cujo conteúdo é eminentemente bíblico, e lança-se os fundamentos para que, no catecumenato, por sua vez, seja possível acessar o conhecimento dos demais meios de salvação com o embasamento adequado.

De fato, na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Domini, o Papa Emérito Bento XVI, na introdução, expressa o desejo de indicar algumas linhas fundamentais para uma redescoberta, na vida da Igreja, da Palavra divina, fonte de constante renovação, com a esperança de que a mesma se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial. O Sínodo afirma que a Igreja se funda sobre a Palavra de Deus, nasce e vive dela. Chegam a afirmar que, na XII Assembleia sinodal, Pastores vindos de todo o mundo congregaram-se ao redor da Palavra de Deus, colocando simbolicamente no centro da Assembleia o texto da Bíblia, para redescobrirem algo que nos arriscamos de dar por adquirido no dia a dia: o fato de que Deus fale e responda às nossas perguntas.

Com São Paulo, a Igreja Católica não se envergonha do Evangelho, pois ele é a força salvadora de Deus para todo aquele que crê (cf. I Cor 1, 16). O Sínodo sobre a Palavra afirmou: “Embora o Verbo de Deus preceda e exceda a Sagrada Escritura, todavia, enquanto inspirada por Deus, esta contém a Palavra divina (cf. II Tm 3, 16) ‘de modo totalmente singular’.”

Assim como o Verbo de Deus se fez carne por obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, assim também a Sagrada Escritura nasce do seio da Igreja por obra do mesmo Espírito. A Sagrada Escritura é “Palavra de Deus” enquanto foi escrita por inspiração do Espírito de Deus. Os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade que Deus, para nossa salvação, quis que fosse consignada nas sagradas Letras.

É decisivo, do ponto de vista pastoral, apresentar a Palavra de Deus na sua capacidade de dialogar com os problemas que o homem deve enfrentar na vida diária. São Boaventura afirma no Breviloquium: O fruto da Sagrada Escritura não é um fruto qualquer, mas a plenitude da felicidade eterna. De fato, a Sagrada Escritura é precisamente o livro no qual estão escritas palavras de vida eterna, porque não só acreditamos, mas também possuímos a vida eterna, em que veremos, amaremos e serão realizados todos os nossos desejos.”

Para acolher a Revelação, o homem deve abrir a mente e o coração à ação do Espírito Santo que lhe faz compreender a Palavra de Deus presente nas Sagradas Escrituras.