Um Tripé Formativo Kerygma, Discipulado e Missões

Kerygma: A Ferramenta “Alpha” como uma das possibilidades

Nascido em 1977, Alpha foi desenhado pela Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade na região de Brompton, em Londres, com o intuito de oferecer aos recém-chegados na Paróquia a devida acolhida e, aos que desejam formar parte da comunidade, os fundamentos da fé cristã.

As reuniões aconteciam em Flats próximos à paróquia, onde as pessoas eram acolhidas numa refeição amistosa e hospitaleira. Um dos Anfitriões fazia a exposição do tema, sempre desde um viés existencial, e, em seguida, propunha-se a conversa sobre o que fora falado, permitindo aos participantes falar abertamente, questionar ou expor pontos de vista sem nenhum tipo de julgamento.

Na medida em que os temas avançam, experiências de oração são propostas até que chegamos ao “Fim-de-semana Alpha”: Um retiro, exatamente no meio da jornada, sobre a Pessoa, os Dons e Frutos do Espírito Santo e, sobretudo, sobre como ficar cheio do Espírito Santo. Neste fim-de-semana há uma grande atuação do ministério de oração. Depois do retiro, os encontros semanais continuam até chegar à conclusão de todos os temas.

Temas

1º Encontro

“Existe mais que isso na Vida?”: levantam-se as questões existenciais mais profundas, feitas pelo homem em todas as gerações;

2º Encontro

“Quem é Jesus?”: Apresenta-se Jesus como resposta às questões existenciais;

3º Encontro

“Por que Jesus Morreu?”: diante do mal, presente e atuante no mundo, fala-se da necessidade de salvação, de perdão e do que Jesus realizou por nós.

4º Encontro

“Como posso ter fé?”: Como resposta ao Deus que se revela, é devida a obediência da fé. Este episódio esclarece o que é a fé e como tê-la.

5º Encontro

“Por que e como devo orar?”: Acessando a estas realidades mediante a fé, somos chamados a ter uma relação com Deus em Cristo que se dá por meio da oração.

6º Encontro

“Por que como devo ler a Bíblia?”: Como “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”, segundo São Jerônimo, somos encorajados a entender o que é a Bíblia e como acessá-lo de modo frutuoso;

7º Encontro

“Como Deus nos guia?”: Este encontro fala da liderança do Espírito Santo na vida do Cristão: Deus disposto a nos orientar.

8º Encontro

Introdução ao fim de Semana Alpha;

9º Encontro

Quem é o Espírito Santo?

10º Encontro

O que o Espírito Santo faz?

11º Encontro

Como posso ser cheio do Espírito Santo?

12º Encontro

Como posso aproveitar ao máximo o resto da minha vida?

13º Encontro

“Como posso resistir ao Mal?”: apresenta-se, novamente, a problemática do mal no mundo e, de modo especial, os três inimigos do homem: a Concupiscência da Carne, o Mundo sob o Pecado e o Demônio;

14º Encontro

“Por que e como devo contar aos outros?”: Apresenta-se a necessidade imperiosa, que brota do coração daqueles que nasceram de novo, de contar aos demais, de compartilhar aquele que viveram.

15º Encontro

“Deus ainda cura hoje?”: Este encontro fala sobre a pregação do Evangelho acompanhada pela manifestação do poder de Deus.

16º Encontro

“E Sobre a Igreja?”: Este último encontro introduz os membros do grupo para a inserção no discipulado da comunidade.

Alpha e os Ministérios Carismáticos

Gera-se, através do Alpha, as disposições para que despontem os ministérios:

  • Do Apóstolo: pessoas capacitadas por Deus para pensar no crescimento estratégico da Comunidade. Através de Alpha, aqueles que são apóstolos – no sentido carismático da palavra – encontram meios de estabelecer novas frentes da comunidade em lugares estratégicos.
  • Do Profeta: pessoas capacitadas por Deus com dons e anseios profundos de vida sobrenatural e que são fermento, na comunidade, de intensa busca por águas mais profundas. Através da insistência de alpha no Ministério de Oração, na busca por ficarmos cheios do Espírito Santo e de uma pregação acompanhada por demonstrações do poder de Deus, estas pessoas encontram em Alpha um instrumento que lhes alimenta e fortalece.
  • Do Evangelista: pessoas capacitadas por Deus para buscar os afastados por meio de um coração enternecido de amor, que não se escandaliza com a condição atual do que está longe; antes, aproveita todas as brechas possíveis para lhes apresentar o Evangelho. Alpha se torna, para estes irmãos, o ambiente perfeito para que convidem os afastados: é informal, hospitaleiro, sem julgamentos e muito amistoso.
  • Do Pastor: pessoas capacitadas por Deus para cuidar do próximo – especialmente do neófito – com um coração enternecido, preocupado, detalhista e presente. Reunindo essas pessoas semanalmente, um ambiente informal e hospitaleiro, estes irmãos encontram em alpha a ferramenta perfeita para cuidar dos iniciantes em seus primeiros passos na comunidade;
  • Do Mestre: pessoas capacitadas por Deus para o ensino da verdade revelada. Através de Alpha, estes irmãos encontram uma ferramenta que apresenta os fundamentos da fé com fidelidade, profundidade, apelando tanto à mente quanto ao coração das pessoas.

Proposta de Discipulado a partir de Alpha

A preocupação do Alpha sempre foi prioritariamente com os que estão fora da Igreja; seu propósito é ser uma “porta aberta” para possibilitar o ingresso de novos membros à Comunidade Cristã que, a partir de Alpha, aplicam o processo de discipulado que esteja em vigor na Comunidade. Contudo, a realidade nos fez palpar o fato de que a maioria das comunidades não contam com um processo de discipulado estabelecido, gerando uma famosa pergunta (que as vezes se constitui num problema!): “O que vem depois do Alpha?”.

Oferecemos, a seguir, três caminhos de discipulado para servir de sequência ao processo iniciado por Alpha. Cada comunidade, de acordo com seu carisma e missão específicas, poderá lançar mão destas propostas de discipulado, contando, igualmente, com o apoio das comunidades que criaram estes processos discipulado bem como das “Comunidades Hub” espalhadas pelo Brasil para o apoio e tutoria nos primeiros passos do caminho.

Comunidade Servos da Palavra

A Comunidade Servos da Palavra consciente que a Igreja não deve somente pescar, em sentido de buscar os afastados, mas deve também pastorear proporcionando aos que receberam o Primeiro Anúncio os meios para perseverar como discípulos missionários, propõe depois do querigma um processo que chamamos de “Perseverai…”. São 18 temas divididos em 3 Blocos. Cada Bloco é constituído de 6 Temas.

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I Bloco: Perseverai Comprometidos com o Crescimento

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II Bloco: Perseverai Comprometidos com Vida em Comunidade

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III Bloco: Perseverai Comprometidos com a Missão.

         O I Bloco inicia apresentando aos que receberam o querigma, a necessidade de que eles permaneçam e perseverem crescendo como discípulos missionários de Jesus Cristo. Depois destaca para eles em forma de temas distintos, os meios de crescimento de uma forma mais geral, à luz de At 2,42. Nesta apresentação é omitido o tema da koinonia que é deixado para o II Bloco, por exigir uma apresentação mais extensa.

         Quanto ao II Bloco, todo ele reflete sobre a vida em Comunidade. Para isso se apresenta primeiro a Igreja como mistério e sacramento da comunhão, chamada a viver a comunhão em níveis concêntricos. Neste sentido a comunhão deve ser vivida em nível da Igreja universal, da diocese, dos decanatos, das paróquias e também no seu interior, em nível de comunidades menores. Com isso se quer apresentar a comunhão como intrínseca do discipulado (cf. DAp 156) e fundamentar a necessidade da vivência da comunhão num nível mais direto, ou seja, no âmbito de uma pequena comunidade.

          Os outros temas do segundo Bloco visam apresentar o modelo de pequena comunidade que se quer edificar, bem como os elementos constitutivos da sua vida e da sua reunião semanal. Aqui o tema da koinonia se entrelaça com outros temas de Atos 2,42-47; 4,32-35. Trata-se de uma abordagem que tem como objetivo refletir sobre o modo de se viver a oração, a catequese, a edificação espiritual e a solidariedade social no contexto da reunião de uma pequena comunidade. 

            O III Bloco é todo ele dedicado a missionariedade, por isso inicia refletindo sobre a urgência da nova evangelização como um projeto eclesial global que deve impulsionar a busca dos afastados, mas também favorecer-lhes o crescimento através de um acompanhamento pastoral. Os outros temas abordam o primado da graça, a necessidade de uma ação missionária intensiva e permanente e a necessidade do compromisso apostólico de todos na Igreja e no mundo.

Vida em Comunidade

         O Perseverai teve como objetivo projetar aquele que foi evangelizado para a vivência do discipulado e da missão. Agora, o grupo se estabelece propriamente como uma pequena comunidade ou algumas pequenas comunidades, conforme o número de pessoas que foram evangelizadas em nível de primeiro anúncio e passaram pelo Perseverai.         

      No término do Perseverai o evangelizado deve estar comprometido com 4 realidades que lhe vai ajudar no seu processo de amadurecimento cristão:

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A vida em comunidade, cultivada através da reunião semanal

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A catequese ou ensino bíblico, no contexto das reuniões da comunidade

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Dízimo paroquial ou participação econômica (nos casos de centros de evangelização ou  novas comunidades)

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O compromisso apostólico (missão), vivido ou sendo enviado pela própria instância eclesial em que ele está sendo alimentado na vivência da sua fé.

          A catequese ou ensino bíblico se recebe no contexto das próprias reuniões semanais da comunidade. Trata-se de um elemento ao lado dos outros, muito importante para se formar o discípulo missionário.

         Querigma e catequese são dois momentos sucessivos que se complementam. A catequese edifica sobre o alicerce sólido que é o querigma.

“Trata-se, com efeito, de fazer crescer no plano do conhecimento e na vida, o gérmem da fé semeado pelo Espírito Santo, com o primeiro anúncio do Evangelho” (CT 20).

          O querigma possibilitando uma verdadeira renovação da iniciação cristã, proporciona aquilo que Jesus disse a Nicodemos, a experiência do novo nascimento. Já a catequese proporciona o crescimento nesta nova vida.

          Catequese sem o querigma é como uma construção sem o alicerce. O querigma sem um seguimento catequético é como uma paternidade física irresponsável que gera, mas não proporciona o alimento e a proteção para favorecer o crescimento.

          “A finalidade da catequese no conjunto da evangelização é a de constituir a fase de ensino e de ajudar a maturação, quer dizer, de corresponder ao período em que o cristão, depois de ter aceitado pela fé a Pessoa de Jesus Cristo como o único Senhor e após ter lhe dado uma adesão global, por uma sincera conversão do coração se esforça por melhor conhecer o mesmo Jesus Cristo, ao qual se entregou” (CT 20).

           O processo catequético que a Comunidade Servos da Palavra propõe se dá através de níveis com a duração de aproximadamente um ano, sendo um nível de catequese mais doutrinal e um nível de catequese mais no âmbito bíblico.

Comunidade Caminho do Discípulo

A base desse processo de formação, chamado de discípulo está no que chamamos de M-12-3-1 que é o processo de discipulado utilizado pelo próprio Cristo conforme vemos no evangelho:

M – Significa a multidão para quem Cristo anunciava abertamente o reino de Deus, muitas vezes utilizando-se de parábolas, como por exemplo no sermão da montanha em Mt 5.

12 – Significa o grupo de 12 apóstolos escolhidos da multidão por Jesus para permanecerem com ele, conf. Mar 3, 13. A esse grupo, mais próximo, Jesus falava de forma mais aberta, ensinava, explicava as parábolas e os preparou para continuarem evangelizando após a sua ascensão

03 – Significa os três apóstolos com quem, dentre os 12, Jesus tinha mais proximidade – Pedro, Thiago e João. As estes o Senhor dedicada um tempo maior, levou-os para vivencias situações as quais não permitiu aos outros participar, como por exemplo na ressureição da filha de Jairo (Mc 5,37), no momento da transfiguração no monte Tabor (Mt 17; 1-9) e ainda no Getsémani (Mt, 26;36-46). Os três formados pessoalmente por Jesus foram citados por Paulo como sendo considerados as colunas da Igreja – Gl 3;9

01 – Significa o Discípulo amado que a palavra dá a entender tratar-se de João. Esse discípulo tinha uma proximidade ainda maior que o grupo de três. Esse discípulo amado foi preparado de forma pessoal por Jesus. É o chamado discipulado um a um. 

 O carisma da Comunidade Caminho do Discípulo é “ser discípulo para fazer discípulos” sempre partindo da multidão até chegar ao discipulado pessoal – um a um.

Para concretizar essa proposta e vivenciar esse carisma, temos o caminho da formação segmentado em três etapas distintas e sequenciais iniciando em um momento de discernimento chamado pre-discipulado, passando pelo Caminho Discipular Vocacional e concluindo com o caminho de liderança.

Temos ainda a escola de Formação Permanente – chamado de discipulado avançado, com objetivo de prover um aprofundamento sobre temas específicos relacionados a doutrina católica.

A seguir, a descrição de cada uma das etapas do Caminho de formação mencionadas acima:

Pré-Discipulado

         É o momento de chegada a célula, tempo de conhecer e discernir a respeito do chamado para viver em células. O visitante, como é chamada a pessoa que está vivendo esse tempo de discernimento, pode participar de 12 células e durante esse período participa do encontro denominado “Bem-vindo as células” onde é apresentada a visão das células e também uma visão geral da comunidade Caminho do Discípulo, seu carisma e suas práticas espirituais.

Caminho Discipular Vocacional

         Concluída a fase de Pré-Discipulado, feito o discernimento a respeito do seu chamado para as células, o membro da célula é considerado membro da Comunidade e para a ser chamado de Discípulo de Aliança, participando a partir daí da Celebração Celular, além da célula.

         O Caminho Discipular Vocacional é composto de 08 etapas, nomeada como discipulado 1, 2, 3, etc… cada qual com um objetivo de temas específicos.

         A primeira etapa do Caminho é um retiro Querigmático – chamado Retiro de Vida nova, cujo objetivo é promover um encontro pessoal com Jesus Cristo vivo e ressuscitado e uma experiencia de batismo no Espírito que proporcionará a abertura para a vivência da proposta do discipulado.

         Na sequência do Retiro de Vida Plena, temos os módulos de Vida Comunitária, Liderança, Vida Missionária, Vida CCD, Práticas da CCD, Relacionamentos e por fim concluindo essa fase da formação temos um Retiro de Aliança onde os membros irão formalizar o seu compromisso com a comunidade, seu carisma e suas práticas espirituais.

 Caminho de liderança

          Caminho de liderança é uma etapa do caminho de formação destinado aqueles que são chamados a assumir o compromisso de liderar uma célula ou segmentos e serviços na comunidade.

         Aqueles que fazem essa etapa da formação e assumem a liderança são chamados de discípulos comprometidos e participam além da célula e da Celebração Celular, também da Celebração de liderança.

Discipulado Avançado

Em paralelo ao Caminho do Formação CCD temos também a Escola de formação Discipular, chamada de Discipulado Avançado, oferecendo cursos para aprofundamento sobre temas pertinentes a fé cristã e a doutrina católica.

Os cursos da escola de formação Discipular podem ser frequentados por todos os membros da Comunidade em qualquer estágio do ciclo de formação.

Comunidade Javé Nissi

Pequenos Grupos, noções gerais:

Pequenos Grupos (PG) ou Grupos Domiciliares: são pequenos grupos, identificados e que seus membros se inter-relacionam – que deveriam ser chamados de “Grupos” propriamente. Os PG são grupos de pessoas de diversas idades que tem em comum: proximidade, interesses e experiência. São formados por até 20 participantes.

Pequenos Grupos ou Grupos Domiciliares são reuniões semanais de pequenos grupos, em casas ou outros lugares previamente arranjados, coordenada por um líder, que passou pelo processo de formação básica (fundamental) da comunidade e está sendo discipulado e acompanhado. O líder ministra a Palavra de Deus, reza e cuida das necessidades das pessoas do pequeno grupo, com o propósito definido e claro de através da oração, testemunhos e partilha proporcionar uma experiência de Comunidade Cristã neste pequeno núcleo.

Essas reuniões semanais não estão soltas. Ao contrário, elas estão organizadas, orientadas e consolidadas pelas atividades da comunidade. Duas outras reuniões, pelo menos, são fundamentais para que o PG não fique isolado: “Assembleia de oração” e “Abastecimento das Comunidades”.  A Assembleia de oração ou grupo de oração são reuniões mensais com todos os PG (participantes e líderes) de uma área (os mais próximos). O “abastecimento” é a reunião semanal dos integrantes da comunidade (os participantes assíduos do pequeno grupo que fizeram uma experiência com Deus são convidados para integrar a comunidade).

O alvo dos PG não é somente a comunhão fraterna e a solidariedade – apesar de ser impossível um grupo se reunir semanalmente e não criar comunhão e assistência nas necessidades – concretizando assim a Comunidade Cristã. O fundamento dos PGs é a experiência do Espírito que se faz na oração e partilha, que deve se expressar na vida de fraternidade, solidariedade e serviço.

O alvo é a conquista de almas para o Senhor Jesus Cristo, a experiência do Espírito Santo, a consolidação desses novos fiéis e a formação para que eles possam fazer o mesmo com outras pessoas e assim chegarem à posição de multiplicação daquela célula, onde uma parte do grupo permanecerá na mesma casa ou local e outra parte, sob a liderança de um novo líder passa a se reunir em outra casa ou local com os mesmos propósitos: consolidar (experiência e comunidade) e multiplicar.

Sua Missão é fundamentalmente proporcionar uma experiência de fraternidade (relacionamento – identificação – partilha) e de solidariedade (“não havia necessitados entre eles”). Além dessa Missão, que podemos chamar de “ad intra”, devem também recrutar outros para vivenciarem a mesma experiência.

O aumento dos participantes de um PG determinará sua divisão (multiplicação) em outros, sempre acompanhado de um líder formado.

O Processo de Formação de um pequeno grupo

  1. Considerações

Participar de um PG é, antes de tudo, um convite a começar um caminho, cujo fim, em aberto, cada um deverá descobrir em comunidade, com a ajuda dos outros. Embora este caminho seja, no início, algo quase desconhecido, já no começo encontram-se as principais motivações para caminhar. De um modo geral, podemos dizer que uma pessoa que inicia o caminho dos Pequenos Grupos possui:

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Uma experiência pessoal do Amor de Deus, uma experiência real do batismo no Espírito Santo;

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Uma atitude de procura, manifestada no desejo de dar um sentido a sua vida;

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Um desejo de dinamizar a fé pessoal através de uma relação mais constante e intensa com Deus;

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Um desejo de transformar o contexto em que vive;

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Uma necessidade de viver com os outros, de se relacionar na amizade e de crescer no serviço.

Estas motivações aparecem mais claramente ou não, de acordo com as situações e circunstâncias em que as pessoas vivem e refletem também o processo de evangelização de cada uma.

A caminhada vai delineando atitudes, aprofundando-as, enriquecendo-as com a experiência, permitindo conversões progressivas, nas quais o grupo e o indivíduo crescem como cristãos, como pessoas e em generosidade.

Todo grupo que se reúne experimenta um processo semelhante ao de cada pessoa. Poder-se dizer que o grupo possui uma vida; e, que podem ser indicadas certas etapas de seu crescimento e formação, apesar das dificuldades decorrentes de querer encaixar “a vida” dentro de margens fixas.

De um modo geral, é possível descrever as primeiras etapas. Em cada um deles, existe uma “nomenclatura” diversa, para denominar as etapas e marcar os traços e as características. Isso é natural e não deve soar estranho; são elementos indicativos e nunca compartimentos estanques. Contudo, sugerimos esta descrição do processo, porque ajuda a conhecer aquilo que está acontecendo, e a propor uma caminhada real.

  1. Descrições gerais dessas etapas

Cada etapa tem uma duração variável, dependendo do número de pessoas que forma o Grupo de Perseverança e, sobretudo, do modo e forma de ser de cada uma delas.

Nem todas as pessoas se encontram, a cada momento, em idênticas circunstâncias; e isso requer alguma habilidade do coordenador (líder do Pequeno Grupo) do grupo em saber moderar a marcha, a fim de que nem se afastem dele os que vão mais atrasados, nem se impacientem os que caminham mais depressa. O grupo é constituído por todos aqueles que o formam; deve-se atender ao conjunto.

Cada uma destas etapas está sempre presente, de um modo ou de outro, na vida da pessoa e do PG. Não é um avanço linear, no qual cada etapa concluída significa um esquecimento de tudo o que ocorreu antes. Não é assim na vida cristã de seus membros e não pode ser na vida de uma Comunidade; antes, é uma integração de cada etapa, com o que se adquiriu na etapa anterior e que deve ser constantemente renovada.

Cada etapa deve ser acompanhada de uma formação adequada (Textos para Reflexão dos Pequenos Grupos) ministrada pelo líder do Pequeno Grupo.

A espiritualidade dos PGs é centrada em Cristo e na experiência do batismo no Espírito Santo que inaugura a vida no Espírito que se manifesta numa real transformação de coração e na manifestação dos carismas em vista da missão.

1ª etapa: Iniciação

Nesta etapa o objetivo principal é a formação do grupo e esclarecimentos de sua identidade. As pessoas que integram o grupo, jovens e adultos, solteiros ou casados, são pessoas com diversos interesses, motivações, desejos e com diferente abertura, chegam à procura de algo, sem que isto lhes fique (às vezes) muito claro.

2ª etapa: Fundamentação

A característica desta etapa é o processo de amadurecimento cristão comunitário. Caracteriza-se, portanto, por um período de aquisição de uma visão cristã do relacionamento coma as pessoas e com o mundo onde estamos. É uma etapa de conhecimento mútuo e identificação.

3ª etapa: A experiência da Salvação

O objetivo principal é a formação da comunidade de salvação. É a identificação dos problemas e situações que vivemos e que precisamos mudar com nosso esforço e a cooperação dos irmãos que estão no mesmo Pequeno Grupo e que participam da mesma Comunidade. É a etapa da partilha e do aprendizado da solidariedade.

4ª etapa: Seguimento

Objetiva-se uma maior imitação de Cristo. Nesta etapa é característico o aprofundamento dos valores e do comportamento apresentado por Cristo Jesus, no intuito de tê-Lo como modelo de vida e de relacionamentos. É o discipulado cristão.

5ª etapa: Apostolado

Nesta etapa busca-se o engajamento nas atividades apostólicas da comunidade, discernindo os ministérios, serviço ou missão que será assumida, pessoalmente ou como grupo, na Comunidade de Renovação.

O mesmo dinamismo que inicia o processo e que o faz desenvolver-se deverá ser o que constitui a vida de um Pequeno Grupo em contínuo crescimento; pois a missão também deve ser discernida e os apelos do Senhor serão novos momentos de escolha para ser cada vez mais “prontos e diligentes” às novas metas que ele propuser.

Os PGs avançam, através destas etapas, graças às reuniões, que são o meio de impulsionar a vida no Espírito; e este processo se realiza na oração, na experiência de Deus, na partilha, na intercessão.

Dentro deste processo, cada PG que inicia a caminhada vai adquirindo um maior sentido e compreensão daquilo que significa este estilo de vida, o que são as Comunidades de Renovação e Pequenos Grupos e qual é o apelo que Deus lhes está dirigindo.